segunda-feira, 3 de setembro de 2007

_a respeito do buraco da fechadura

No dia em que escrevi o maldito texto abaixo, achei que era minha mais nova "arte".
Hoje decidi relê-la. Devo admitir...está disconexo, monótono e tudo mais...tudo de ruim.
Horrível.
Asco.

)Mas é que hoje eu acordei com tanta vontade de dormir...(

O pior: o silêncio.
Querer ser o mosquito pousado no buraco da fechadura é uma realidade impossível pra mim. Poder observar todo o mundo através de um estreito é incoerente com a minha proposta. Achar que tudo é concebível foi estupidez da minha parte. Pior aqueles que acham que só a estupidez é concebível.

Prefiro continuar com meu ódio pela irrealidade dos diretores de cinema. Prefiro continuar underground suficiente a ponto de ninguém conseguir me ver de fato. Mentira. Quero muito ser notado, quero estar nos holofotes. Quero estar sentado no Sol do meio-dia. Quero que saibam que estou lá, aguardando o dia em que o Sol exploda e que inúmeros feixes da luz brilhem no céu, iluminando todos.
Imaginem: ver-me da pior maneira possível, obscuro pela iluminação. Que dia!! Aguardem. Nem que seja depois da minha queda final, um dia serei observado daqui e estarei lá, sentado no Sol, aguardando o futuro, aguardando que o nada ocorra - afinal, nada farei mais...

-X-
Minha caligrafia sempre foi meu problema...Hei-de amar uma pedra....que título...prefiro "encontrei de tudo no banheiro, desde uma belíssima e esquelética Átropos até o asco da volúpia a meio de fezes e urina." ou então algo do tipo Mas se os pombos ficam. Na real, prefiro o que o dia me propõe. Prefiro o que eu prefiro preferir. )Ser tautológico é a explicação daqueles que não compreendem nada de palavras. Ser repetitivo é ser ignorante linguisticamente.(

Certa vez, aos poucos anos, tive de fazer caderno de caligrafia. Cem vezes a palavra borboleta. Mais cento e vinte vezes a palavra purificador. Duzentas vezes a palavra Ricardo. Pois é. justamente meu nome era o que eu menos tinha capacidade de escrever...não sei...não me sentia bem nele...na realidade, nem ele gostava muito de mim. Com o tempo fui mudando de nome, mas mesmo assim, com dó, mantenho Ricardo como nome oficial, só por questões burocráticas...Mas um dia Hei-de amar uma pedra...ou então Hei-de gozar do Asco da Volúpia...ou Hei-de não ser Ricardo. Burocracias...

-X-
Toda essa ladainha de silêncio, de caligrafia, de Ricardo, do Sol, da minha queda, dos espectadores e da volúpia ascosa serve para mostrar que, no fim, eu Hei-de gostar de alguma coisa duas vezes na minha vida.

Acho que isso acontecerá quando eu cair de um penhasco. Chorarei do mesmo jeito que quando aquele Dr. Ricardo bateu na minha bunda e me fez chorar como um bebê indefeso. FILHO DA PUTA. Agora aguarde que eu Hei-de nascer para vocês.

6 comentários:

Guilherme Dearo disse...

É engraçado quando a gente olha prum texto nosso e acha idiota, sendo que no dia anterior tinhamos o achado uma obra-prima, de uma sutil genialidade.
Aquele conto pra Bravo! fez isso comigo também... hehehehhehe

Qual o texto que você quer que eu leia (que você disse que tinha a ver com a idéia da menina do conto da fechadura...)?
Fala o título!

Giu disse...

Nascerá de uma vez por todas?

Letícia disse...

Foge do seu estilo usual, o da porta. Mas isso n�o quer dizer que esteja ruim. Eu gostei muito, na verdade, e acho que entendo o que o Rick quer dizer... que tipo esse texto tem um tom mais pessoal que seus outros, mesmo que n�o seja sobre vc.

Guilherme Dearo disse...

Texto brilhante Borbas... Umas três partes muito boas: sobre ser obscurecido pela luz (!!!!); partir dessa pra melhor e ficar sem fazer nada observado o povo daqui lá de cima; e a raiva do médico que te deu um tapa...

Ricky disse...

EU ENTENDI!!!!!!!!!!!

Letícia disse...

quero entender!!!