domingo, 1 de julho de 2007

_o silêncio

Alguma vez há tempos me peguei perguntando ao )borbas( o que havia comigo. Mas como eu consigo ter ódio da calada. É incoerente.
De fato, esse curto diálogo era quase que como Caleban e Ariel de Shakspeare indagando sobre o porquê de Saramago ter escrito um [i]Evangelho[/i] segundo JC - e que fora copiado de GH? - excluindo toda a essência da religião em si.

)Novamente eu surgia estupidamente imaginando os passos finais do condenado à forca. No que será que o suicida pensa segundos antes do seu vôo com a mariposa? - sabiam vocês que no instante em que a cobra pica o pescoço do condenado, um ente enorme )cujo abraço me enlaça ao seu lado( degenera a serpente )e não só ela( e a transforma em um espaço denso, denso, denso e vazio como a mente humana é? sabiam que a platéia enegrece tanto a ponto de transformar-se em uma massa amorfa? sabiam?
Dor não pode ser. Coragem tampouco. Nem medo. Satisfação só aos pecadores. E morte só aos vivos. Claro. Não sentia nada, ao fim, algum começo, pois não?(

Como posso eu ser tão estúpido em ter tanto medo no que já conheço e gosto?
Certa vez toquei n'água, sua viscosidade era ímpar, seu sal carcomia minhas mãos, ressecando-as, sua temperatura era deliciosa.
Só soube qualificar o que senti quando, minutos depois, saia do mar e pisava na grama de meu quintal, seus pêlos pinicavam a sola de meu pé - não aguentei; caí -, cocegavam minhas costas, coçava-a: uma primeira apreciação? O primeiro passo foi a quebra do que nunca mais consegui imitar. O verde se diferenciava do azul pela primeira vez.

)Nossa! Percebo agora que o que o condenado sentia era justamente aquela quebra que senti!(


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Vezes acho que eu sou meio incoerente.

5 comentários:

Uma outra Tatiane... disse...

Yeees! Sou mto inteligente!!! Uhuuuuul!!!

Ainda não li seu texto, mas é q eu fui a única q tentou o mais óbvio do mundo... pq ngm tenta o óbvio! (só eu!)

Uma outra Tatiane... disse...

A incoerência é para os fracos, os pobres de espírito.

Sua quebra é tão coerente qianto a diferenciação que um condenado faz da vida e da morte. E essa diferenciação, é nossa.

Quem será o condenado? Cada um tem sua própria condecação, nem que seja a condenação de não ser condenado a nada...

(tá, parei de brisar!)

Ótimo texto... como não poderia deixar de ser...

Nessa... disse...

"O primeiro passo foi a quebra do que nunca mais consegui imitar." ==> linda, linda!

"O verde se diferenciava do azul pela primeira vez." ==> isso é pra tati.


a condenação é esperar por ela.
uma vez q a espera é mais árdua que o final.

lerei seu blog, achei-o finalmente (apos tentar coisas nao tao obvias)
hahahah

beijos!!

Uma outra Tatiane... disse...

É... enfim o azul se diferenciou do verde, e pudi ver q, em vdd, nenhum dos dois realmente me interessava... (comentário mais pra vanessa q pro borbas, mas se o borbas for menos esquizóide e pensar com amor, vai entender tb...)

Nessa... disse...

O texto me fez pensar um pouco, Afá.
Como se pode temer algo q se gosta? Ainda procurando a resposta.
E essas sensações díspares.. uma depois de outra quase exata.. não sei, essa sucessão me parece incômoda.
talvez eu também seja um pouco incoerente.

(E se nem o azul nem o verde interessam, busque o branco. todas as cores e nenhuma? )